*
Vai findando o processo eleitoral de mais uma eleição para a direção da AMAERJ, entidade de classe que tem o dever de representar todos os magistrados.
É sabido que o exercício e direção pelo grupo hegemônico da entidade de classe com firme compromisso de ser aliada incondicional da cúpula do Judiciário, produziu dissidências em vários cenários.
Na esfera nacional, da AMB surgiram a ANAMATRA, a AJUFE, a ANAMAGES e a ANDES. Produto de uma gestão centralizada, voltada para seus próprios interesses, cega para os anseios da classe e parceira de ações midiáticas divorciadas desses clamores.
Assim também tem sido conduzida a AMAERJ, cujas direções vêm sendo uma sucessão das mesmas ideias de adesão incondicional às administrações do Tribunal de Justiça, projeto de poder individual que produziu graves distorções e danos aos interesses da imensa maioria dos magistrados.
Só para rememorar, onde estava a entidade de classe na questão do rodízio eleitoral, na ausência de critérios de promoção e remoção, e de diversas situações que somente foram alteradas pela via compulsória, após a intervenção de organismo de controle externo do Poder Judiciário?
A chapa situacionista, que representa os mesmos projetos, clama a vitória antes da hora. Apresenta lista de apoio que inflada (mas emblemática!) não corresponde à realidade. Na verdade, somente tem dentro de si o gérmen da manutenção do status de departamento da administração que impuseram à entidade de classe.
A recusa ao debate, pelo argumento de que as propostas são as mesmas do candidato da oposição, revela-se um recrudescimento da postura geralmente intransigente do grupo aferroado ao poder. A recusa ao debate deixa transparecer a ausência de qualquer compromisso com as bandeiras históricas do movimento associativo, e causa imensa preocupação.
Preocupação com a apatia da classe, que muitas vezes sequer se mobiliza para votar nas eleições, onde pode, livremente, escolher o seu representante de classe.
Nesse cenário, onde há a real possibilidade de eleição de um colega com história junto ao primeiro grau, de um colega que nunca se afastou para exercer cargo de confiança, e que sempre intentou medidas em prol da magistratura, permite que haja esperança.
É na apatia que a entidade de classe tornou-se um grêmio recreativo, e a defesa intransigente dos magistrados ficou subordinada aos interesses da administração do Tribunal de Justiça.
A esperança há de vencer a apatia.
Faz-se vital que haja um comparecimento maciço dos associados, que em seus votos poderão dizer NÃO.
Não à perpetuação de projetos pessoais de autopromoção à frente da entidade de classe. Não a uma AMAERJ que funcione como departamento do Tribunal de Justiça. Não à omissão da AMAERJ em questões viscerais remuneratórias. Não a uma AMAERJ que não represente plenamente nossos interesses e, pior, defenda interesses diversos, minoritários, como fez na questão previdenciária – ocasião em que realizou assembleia para defender a transferência da folha de pagamento dos inativos e pensionistas para o Rio Previdência. Não à omissão da AMAERJ na defesa das prerrogativas da magistratura. Não à omissão da AMAERJ nas questões internas, afetas à democratização do Poder Judiciário, tais como eleição direta da Administração do Tribunal, adoção de critérios puramente objetivos para promoção e remoção de magistrados, adoção de critérios objetivos para designação de Juízes das Turmas Recursais, adoção de critérios objetivos para designação de juízes substitutos de desembargadores, para a concessão de férias, licenças, etc.
Enfim, é hora de dizer NÃO ao status quo que vem permitindo a paulatina, lenta e constante descaracterização do Poder Judiciário enquanto Poder e da Associação enquanto entidade de classe, e de dizer SIM à democracia, à força imanente ao Poder Judiciário e às prerrogativas da magistratura, que poderá renovar a coordenação da AMAERJ, elegendo o colega Rogério de Oliveira da Chapa Magistratura Unida como Presidente da nossa Associação.
Com sua eleição, a AMAERJ poderá tornar-se um catalisador de ideias nas relações com o Tribunal de Justiça, caminhando ao lado quando suas ações revelarem-se harmônicas com os interesses da classe, e ousando divergir quando não, propondo ações típicas de uma entidade de classe. |